Novo ano, para que te quero?

Pobrezinho de dois mil e dezesseis, o novo patinho feio.

Foram-lhe atribuídas tantas desgraças…

O coitado tornou-se culpado das marcas do tempo, vítima de nosso espirito saudosista – aquele que protagoniza a frase “no meu tempo…” e que nos ludibria com a camuflagem que faz na nossa memória.

2015 e os anos anteriores, adoraram. Ficaram com a barra limpa.

Mas estou aqui em sua defesa, meu querido.

Ruim não é você e sim a forma como nós levamos a vida. O modo como não conseguimos lidar com as consequências das nossas escolhas e dos imprevistos.

Culpamos o ano. Culpamos o tempo. Culpamos o azar. Culpamos os outros. Culpamos a vida.

Por que não? É tão mais fácil.

01 de janeiro.

O único dia em que quase todo mundo do planeta faz uma pausa.

Dá um reset.

“Logo eu”, que não sou muito apegada a datas comemorativas, sempre me deixei seduzir pela magia do Ano Novo.

Hoje entendo o motivo.

O começo desta nova jornada sempre me fez sentir menos esquisita. É um tempo onde os metódicos e organizados não estão tão sós, rs. A maior parte das pessoas está imbuída nesse espirito renovador que a virada traz, fazendo listas e (re)programando a vida.

Aí os dias continuam a passar, a vida acontece, como sempre faz, e muitas coisas ficam para depois ou nunca.

Ao notar isso, desta vez quis fazer diferente.

Não adicionei nenhum item em lugar algum. Não me fiz promessas surreais que depois vão me gerar frustração. Sem deixar de tê-lo, apenas revisei e removi muitas coisas do meu planejamento.

Olhei para trás e parei. Repensei. Contemplei. De certa forma, me libertei.

Afinal, de que adianta criar check-lists elaborados e nos preencher de desejos, se não somos capazes de notar o que já temos ou somos?

Mais uma vez, completos os 365 dias, culparemos o ano, esse bicho feio, como se ele tivesse nos guiado pelo caminho errado.

Novo ano, para que te quero?

Essa foi a pergunta que me fiz logo depois de processar esse mundaréu de pensamentos.

Sem pretensão de ter a resposta certa, decidi que desta vez quero um novo ano para não culpá-lo ou desculpá-lo.

O quero para me ensinar que não são os números e sim a vida construída, a cada dia, que moldam o que nos tornamos e como somos capazes de lidar com acontecimentos, ora planejados, ora sequer imaginados.

Ano novo, quero você para saber discernir entre o essencial e o supérfluo. Para reconhecer logo de cara aquilo que me faz sorrir e aprender a deixar pra lá o que não me traz alegria. Para ser mais leve.

Te quero para saber valorizar e relembrar as coisas boas que você também carrega e nos dá. Para não esquecê-las quando estiver triste ou desgostosa. Para me exigir menos e entender a perfeição como um conceito relativo. Para criar menos expectativas.

Acima de tudo, te quero de braços abertos, sem a espera do teu sucessor para torná-lo um novo vilão, sabendo que o tempo é contínuo e as pausas servem, primordialmente, para reflexão.

A vida acontece hoje. Agora. Amanhã ou depois já não sabemos mais. Afinal, é de instantes que somos feitos e é por eles que devemos nos responsabilizar.

Não?

Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício – O amor, anos mais tarde (Round 2)

Mais um diálogo inspirado em avós. Dessa vez, os meus: Dona Terezinha e Seu Lolito. Já falecidos, mas sempre lembrados com muito amor, especialmente naqueles causos nostálgicos e hilários contados e recontados por quem teve a felicidade de estar por perto.

Habitar as recordações dos que ficam pode ser a maior vantagem de ir. Talvez seja esse o intuito desse negócio estranho que é começar uma vida a dois e terminar como dois velhinhos birutas cheios de histórias para contar e serem contadas. Não seria ótimo?

Bom, vamos lá. Para mais uma história de amor…

Apresentando Dona Terezinha e Seu Lolito:

“Lolito, você se lembrou de buscar as crianças na escola?”

“Lógico que lembrei, Terezinha!”

“Então por que elas não estão aqui?”

“Posso entrar em casa antes do interrogatório? Hoje não é dia de almoçarem conosco. Deixei os dois em casa, com a babá.”

“E a mãe?”

“Ainda não chegou do trabalho.”

“Hum.”

“Hum o quê? Posso saber?”

“Você perguntou para a babá se eles tinham almoço?”

“Segundo ela, a Nira não pediu para preparar nada. Acho que vai comprar na rua.”

“Você olhou a geladeira?”

“Por que diabos eu faria isso, Terezinha?”

“Hum.”

“Não, eu não olhei. Tá feliz agora, meu AMOR?”

“Estaria se você tivesse olhado.”

“Eu mereço mesmo, viu? Vou ao banheiro lavar o rosto e já volto para almoçarmos.”

“Aproveite e tome um banho. Você está fedendo.”

“O quê? Fedendo? Tomei banho de manhã.”

“A Dejanira disse que você estava cheirando muito mal quando foi buscar as crianças ontem.”

“Que palhaçada é essa?”

“Foi o que ela disse.”

“Vou lá tirar satisfação com ela agora mesmo.”

“E depois traga as crianças para almoçar.”

“Terezinha, eu não acabei de dizer que hoje não é dia de comerem aqui?”

“Que dia é hoje, Lolito?”

“Terça.”

“Quarta.”

“Quarta?”

“Quarta.”

“Ai, meu Deus! Hoje é quarta! É por isso que a babá estava surpresa e não tinha preparado nada.”

“Hum.”

“Tá, eu sei, Terezinha, fiz cagada. Vou concertar isso agora.”

“Passe na casa da Cristina e busque também o Pedro.”

“Você já falou com ela?”

“Aquele menino largadinho não tinha nada para comer.”

“Tá, mas você falou com ela?”

“Não, falei com o Pedro. Ele me ligou mais cedo.”

“Mas ele é só uma criança, como ele pode saber o que tem ou não na dispensa pra comer?”

“Disse que faltava um monte de coisas: Danoninho, bolacha, Toddy. Pediu até um par novo de chinelos para a empregada.”

“Deus do céu, Terezinha! Tá, eu busco o Pedro também.”

“Leve a caixa de mantimentos que comprei para ele. Está na mesa da cozinha.”

“Tudo bem.”

“Ao lado deixei um par de cartas que devem ser postadas no correio. Já que está saindo, faça-me também esse favor.”

“Jesus Cristo! Algo mais?”

“Deixei uma marmita para darmos ao porteiro. Está na geladeira.”

“Ok.”

“Acabou o refrigerante. Compre uma garrafa no mercado.”

“Ok.”

“Os resultados do seu exame estão prontos. Busque no laboratório.”

“Ok. Mais alguma coisa?”

“Tome um banho.”

Respiração profunda.

“Tá. Vamos lá. Deixe-me ver se tenho tudo em mente. Você está me pedindo para tomar um banho, levar a marmita do porteiro, postar as cartas no correio, comprar refrigerante, buscar o Gabriel e a Laura, deixar a caixa de compras na casa da Cristina e pegar o Pedro?”

“Não se esqueça dos exames.”

Respiração profunda.

“Terezinha, onde está o espanador?”

“Espanador?”

“Sim, o espanador.”

“Por qual motivo você quer isso agora?”

“Pra que eu possa enfiar no rabo e sair varrendo a casa enquanto faço o tudo o que me pediu.”


A série “Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício” pretende resgatar e ilustrar aquelas conversas rotineiras, que muitas vezes destinam-se ao esquecimento e passam desapercebidas, mas que no fundo fazem parte fundamental da construção de uma relação e do amor. 

 

Hola, que tal? > Chile: Santiago e arredores

Fomos ao Chile em junho/16, mas tentamos resumir e escrever de modo que a postagem se mantenha “atemporal”. Esperamos que seja útil 🙂

Tem banana, quer laranja? Santiago, Chile

Talvez alguns não saibam, mas eu – a tranqueira – morei no Chile durante oito anos da minha vida.

Além disso, sou formada em Turismo e apaixonada por viagens, então não faltarão postagens sobre o assunto por aqui.

Um pouco sobre o Chile:

Sempre aconselho acessar os sites oficiais de turismo do lugar em questão (neste caso o Sernatur). Eles concentram informações de todo tipo: desde dados demográficos a “points” de visitação e agenda de eventos.

No mais, basta dizer que seu idioma oficial é o espanhol, a moeda o peso chileno e hueón a palavra que mais escutará por lá 😛

Santiago (Capital do Chile):

Antes apenas lugar de passagem para quem visitava o Atacama ou a Patagônia, Santiago é hoje a nova queridinha de nós, tupiniquins.

Eu morei em Maipú, mas recomendo ficar no bairro de Providencia ou arredores. Mesmo que seja um pouco mais caro, você economiza tempo e transporte, por ser bem mais próximo dos pontos de interesse.

Ainda sobre isso, é importante lembrar que citamos apenas algumas dicas, pois além de ter inúmeros blogs, guias e artigos sobre o que fazer por lá, acreditamos que o mais legal é descobrir a cidade por conta própria, de acordo com o que lhe agrade.

O que visitar?
  • Palácio “La Moneda”:  Sem entrar em detalhes sobre o contexto histórico do local, acreditamos que vale a pena conhecer. O Museu que fica na parte subterrânea é muito bacana também.
  • Plaza de Armas e Catedral: Aqui é o marco zero da cidade e ponto de uma das fotos clicadas devido ao contraste arquitetônico.
  • Mercado Central: A bem da verdade, esse é um dos lugares que menos gostamos, pois as pessoas ficam o tempo todo te puxando para dentro dos restaurantes, mas é importante citar.
  • Parques Forestal e Bicentenário: Ambos nos fazem pensar “Quero morar aqui só para vir correr todas as manhãs neste lugar”.
  • Cerros San Cristóbal e Santa Lúcia: São relativamente próximos e a vista panorâmica da cidade e da “sempre-maravilhosa-cordilheira” compensam a subida.
  • Museu Bellas Artes: Mesmo que não goste de museus, a entrada deste é franca, o prédio incrível e seus arredores também.
  • Bairro Bellavista: Apenas perca-se e desvende o bairro.
  • Shopping Costanera: O shopping é enorme e cheio de lojas legais, mas o que vale mesmo é a subida até o mirante! Eu, que já vi a Cordilheira de vários ângulos, fiquei de queixo caído com a vista…
Tem banana, quer laranja? Santiago, Chile

Tem banana, quer laranja? Santiago, Chile

Tem banana, quer laranja? Santiago, Chile

Tem banana, quer laranja? Santiago, Chile

No inverno, não se assuste se ouvir as palavras “alerta ambiental”. Por estar rodeada de montanhas, Santiago concentra boa parte do smog (poluição), levando o governo a tomar medidas para reduzir esses níveis de contaminação do ar, como rodizio adicional de carros e, em casos extremos, proibição de asados (churrascos), rs.

Para se proteger, tente se hidratar bastante e evite atividades físicas muito pesadas.

Em caso de terremotos (sim, o Chile apresenta alta atividade sísmica), não se desespere como eu. Tente manter a calma e siga as instruções das pessoas ao seu redor, pois o País é muito bem preparado para estes casos.

Valparaíso e Viña del Mar:

Valparaíso é a terra da poesia. Viña del Mar, a cidade jardim.

“Valpo” tem seus cerros coloridos, que encantam a quem decide seguir o pensamento do Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos”. Já Viña del Mar é aquela sua amiga PHYNA, glamorosa e gourmet.

O destaque em Valparaíso vai para seus inúmeros funiculares e o “Paseo 21 de Mayo”, com uma das vistas mais bonitas para o Pacífico. La Sebastiana, uma das casas de Pablo Neruda, também é ponto de parada.

Em Viña, o Relógio de Flores, a Avenida Peru, o Jardim Botânico e a Quinta Vergara são ótimas pedidas.

No mais, apenas perca-se e deixe-se encantar.

Tem banana, quer laranja? Valaparaíso, Chile
Tem banana, quer laranja? Viña del Mar, Chile
Tem banana, quer laranja? Viña del Mar, Chile
Cordilheira e Centros de Esqui:

Dependendo da época do ano, algumas pessoas optam por não visitar, mas eu sou ALOKA pela Cordilheira dos Andes então acho que sempre vale a pena.

Se for no inverno, os centros de esqui mais próximos de Santiago são: Valle Nevado, La Parva, Colorado e Portillo. Este último tem um plus: a Laguna del Inca (só procura no Google e bota no roteiro :P)

Para subir até lá há empresas especializadas que te levam, mas nós preferimos alugar um carro e assim ter mais liberdade.

Se for apenas passar o dia, recomendamos levar um lanche ou comer antes de iniciar o passeio. Os preços são realmente abusivos nos restaurantes da região.

Tem banana, quer laranja? Neve, Chile

Tem banana, quer laranja? Neve, Chile
Momento “Mangia che te fa bene”:

Por aqui costumamos dizer que não há melhor forma de conhecer um lugar do que comendo.

Os sabores e aromas tem o poder de realmente nos transportar novamente para alguns momentos e locais. No Chile, prepare-se para voltar repleto de memórias e rolando!

As empanadas são um caso à parte. Maiores do que no restante da América do Sul, podem ser fritas ou assadas e ter recheios de diversos sabores. As de pino (carne) e queijo são as preferidas.

Os famosos Completos (nome que dão ao cachorro quente) também são paixão nacional, tornando-se inclusive carro chefe de várias redes de fast food. Peça um “italiano” e entenda porque o avocado faz parte de tantas receitas chilenas. O mesmo vale para os Lomitos.

Outro ponto que merece destaque são os frutos do Pacífico. As machas (marisco unicamente chileno) são difíceis de achar, já que sua produção precisou ser restrita devido a extração excessiva, mas se você conseguir encontrar, por favor, experimente! As que estão na foto são “machas a la parmesana“.

Achou pouco? Então procure também por pastel de choclo, humitaslomo a lo pobre, choripan, pollo con papas fritas, sopaipillas, chorillana, ensalada a la chilena, pebre e mote con huesillo. Não reclame se engordar, rs.

Tem banana, quer laranja? Machas a la Parmesana, Chile

Os Vinhos (e seus baixíssimos preços) e o Pisco Sour também vão te fazer chorar – ou cambalear – de alegria 😛

Caso goste do assunto ou queira fazer um passeio diferente, as vinícolas do Valle Central são uma ótima pedida. A Concha y Toro é a mais famosa.

Ah, e fique atento quando o assunto for água. Por ter muitos minerais, o elemento recebe um tratamento bem diferente no País Hermano. Nosso organismo, por não estar acostumado, pode não se adaptar muito bem (inclusive é possível notar mudanças na pele e nos cabelos), então recomendamos consumir água mineral engarrafada.

Mas e a hospedagem?

Dicas de hospedagem não são muito nossa praia. Achamos que o lugar ideal vária de acordo com o gosto e necessidade de cada um. De qualquer forma, se tiver dúvidas, pode deixar nos comentários, que tentamos ajudar 🙂

Se for útil, os sites que mais usamos por aqui quando estamos procurando onde ficar são: booking, tripadvisor e airbnb.Tem banana, quer laranja? Chile

Bônus:

Nesta última viagem, buscando algumas coisas novas para colocar no roteiro, descobri o blog “Pigmento F“.  Escrito pela Fê La Salye, brasileira que mora no Chile desde 2011, está repleto de dicas e informações bem diferentonas. Vale a leitura.

Também recomendamos o “Viaje na Viagem” e o “Viaje aqui“, da Editora Abril.

Para não deixar o texto tão longo outras dicas sobre esse universo andarilho virão em futuras postagens 😉


A série “Hola, que tal?” foi criada para apresentarmos lugares que conhecemos por ai e que achamos que valem a lembrança.

 

Decoração funcional

Decoração funcional? Mas o que raios é isso?

Tem banana, quer laranja? Lar, doce lar

Dia desses estava em uma loja e vi um objeto lindo, mas que não tinha nenhuma funcionalidade no fim das contas. A primeira vontade foi comprá-lo, mas bastou um respiro mais profundo para surgir o pensamento: Camila, para que você usaria isso, além de enfeite?

Acabei não adquirindo o dito cujo e levando para casa um sentimento de paz.

Algum tempo depois uma situação parecida aconteceu e o mesmo pensamento e sentimento surgiram.

A verdade é que sempre fui muito organizada (de tempos em tempos, faço maratonas de descarte por aqui), mas também sou um pouco impulsiva e consumista.

Novos objetos sempre acabavam ocupando o lugar daquilo que tinha sido doado ou jogado fora, dando a sensação de que precisávamos constantemente de mais e novos espaços para armazenar tudo.

Por outro lado, o Estrupício é a pessoa mais prática e simples que existe quanto a isso, então é muito raro vê-lo trazendo algo novo para casa, além de livros…

Creio que foi essa mistura que me fez ter um olhar mais atento, provocando uma grande mudança de pensamento.

Tem banana, quer laranja? Decoração funcional

Decoração = “De+coração”:

No livro “A Mágica da Arrumação”, a autora Marie Kondo defende, entre muitas outras coisas, que tudo o que temos precisa nos trazer felicidade. Também acredito nisso e vou além: Nossos pertences, além de trazerem alegria, precisam ter alguma utilidade.

Será que vale a pena ter um enfeite lindo na prateleira só para que fique acumulando pó? E se esse enfeite tivesse uma função adicional, servindo como apoio de papel, por exemplo? Quiçá daríamos muito mais valor.

Em casa, há tempos paramos de comprar coisas só porque são bonitas.  Um exemplo disso são os bonecos de vinil colecionáveis que nos faziam lamentar a falta de saldo na conta bancária.

Fissurados que somos em cultura pop, teríamos todos os funkos possíveis se pudéssemos. Só que paramos e pensamos que, além de dinheiro, precisaríamos de um lugar e tempo para cuidar deles, então, optamos por não tê-los.

Seguindo essa mesma linha de raciocínio, muitas coisas se transformaram por aqui: Embalagens de vidro de produtos que compramos no mercado foram higienizadas e suas tampas pintadas – substituindo assim potes que compraríamos para armazenar diversos alimentos.

Uma frigideira velha que ia para o lixo virou um quadro que nos faz sorrir quando olhamos e até o renegado pote de sorvete acabou levemente customizado para se transformar na nossa caixa de remédios.

Tem banana, quer laranja? Decoração funcional

Não estou dizendo que precisamos parar de comprar coisas, ou jogar fora recordações por não serem funcionais à primeira vista.

Apenas acho que vale muito a pena fazer alguns questionamentos antes de comprar ou manter algo:

  • Posso pagar?
  • Como vou ou posso usar?
  • Tenho espaço para armazenar?
  • Conversa com meu estilo de vida e decoração?
  • Já tenho algo parecido ou que possa transformar, dando a mesma utilidade?

Quem sabe cartas ou cartões postais antigos não sirvam para forrar uma caixa de sapatos que iria para o lixo e que agora pode servir para guardar material de escritório, por exemplo?

Fazendo isso você deixa a vista e torna útil algo que fica sempre guardado, reutiliza o que seria descartado, organiza suas coisas e de quebra poupa o dinheiro que gastaria comprando algo para armazenar tudo isso.

Tenho certeza que, se você for picado por esse bichinho mais minimalista e questionador, aquela vontade louca de comprar coisas novas pode se aquietar, dando oportunidade para que muitos objetos guardados ganhem vida nova…

Dê um respiro para sua consciência, seu bolso e sua casa, além uma oportunidade para sua imaginação!

Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício – O amor, anos mais tarde

Texto inspirado em um dos diálogos cotidianos entre Dom Luiz e Dona Olga, avós da Tranqueira. Duas figurinhas, coladas bem perto uma da outra há mais de 50 anos.

Tem banana, quer laranja? Diálogos entre Olga e Luiz

“Olga…”

Silêncio.

“Olga…”

Respiração profunda.

“Olga…”

“Ah! O que foi, Luiz?”

“Tô com fome. A gente não vai tomar café?”

“São quase duas da tarde. Você já tomou café. Logo vai ter almoço!”

“Ah, tá!”

Silêncio.

“Olga…”

“O quê?”

“Essa minha fome é de almoço?”

“Eu sei lá do que sua fome é? Faça-me favor!”

“O que vai ter pra janta?”

“Mas nem almoçou e já tá pensando em jantar?”

“Almocei?”

“Ahn?”

“A gente almoçou, não almoçou?”

Respiração profunda.

“Não, Luiz. A gente tomou café. O almoço vai sair já, já. O jantar é só mais tarde.”

“Ah, tá.”

Silêncio.

“Ontem à noite teve sopa. Não quero tomar sopa hoje.”

“Eu aviso a Nana que você não quer sopa. Acho que ela vai fazer pastel.”

“Oba! Vai ter pastel pro almoço?”

“Não! Ela vai fazer pastel mais tarde, pro jantar. O Pancho tá fazendo macarronada.”

“Mas macarronada não é comida pra comer de manhã. Quero café e pão com manteiga.”

“Eu vou ficar louca desse jeito!”

“O que eu fiz?”

Respiração profunda.

Silêncio.

Respiração profunda.

 

“Luiz, preste atenção. Nós comemos pão e tomamos café de manhãzinha, vamos comer macarronada agora no almoço e mais tarde, bem mais tarde, a Nana vai fazer pastel pra comermos no jantar. Entendeu?”

“Ah, tá.”

“Entendeu?”

“Entendi.”

“Podemos assistir à novela?”

“Podemos.”

Silêncio.

“Olga…”

“Pelo amor de Deus! Eu não aguento mais! O que foi?”

Silêncio.

“O que foi, Luiz?”

“Te amo.”

“Ah, vê se vai tomar no cu!”

Tem banana, quer laranja? Diálogos entre Olga e Luiz


A série “Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício” pretende resgatar e ilustrar aquelas conversas rotineiras, que muitas vezes destinam-se ao esquecimento e passam desapercebidas, mas que no fundo fazem parte fundamental da construção de uma relação e do amor. 

 

Comofaz? > Como ver filmes?

Não, este não é um post pretensioso, daqueles onde se “veste” um monóculo para ditar como os demais devem assistir um longa-metragem. Na verdade, nossa única intenção é mostrar como costumamos ver filmes – no que reparamos, o que procuramos, os canais e meios que usamos para assistir, etc.

Tem banana, quer laranja? Cinema, Filmes, Livros

 

Nós não estudamos cinema e não trabalhamos na área, mas, desde o início a Sétima Arte é uma das principais paixões que temos em comum. Ela permeia nossas vidas e nos leva a ter conversas acaloradas sobre a genialidade de algum diretor ou a gastar um bom tempo zapeando a galeria de filmes da Netflix (sim, “A” Netflix, essa linda, porque ela é menina), então é bem provável que você veja muitas coisas sobre o assunto por aqui.

Para começar, decidimos falar daquilo que nos leva a entender um pouco melhor sobre como funciona esse universo, então chega mais e confere nossas humildes dicas 🙂

Tem banana, quer laranja? Cinema, Filmes, Tatuagem, Claquete
Tatuagem por Rafael Rocha – > www.facebook.com/RafaelRochaHS
> Assista, assista e assista! (e de tudo um pouco)

A única forma de aprender sobre algo é dedicando um tempo a isso, então reserve um período do seu dia, semana, mês ou ano e assista filmes! O que recomendamos é focar no seu gênero ou diretor preferido, mas também é importante conhecer e entender sobre outros tipos e autores, por isso mantenha a mente aberta.

> Aflore os sentidos

As vezes, deixe de lado o celular e a vida (rs) e mergulhe no que está vendo. Aguce seus sentidos, ouça com mais atenção, perceba como e em que momento a trilha sonora é inserida, imagine como seria aquela cena sem todos esses sons. O mesmo vale para a fotografia, os cortes de cena, as cores… Enfim, permita-se! A ideia aqui é SENTIR o filme, por melhor ou pior que ele seja.

> Procure Making Ofs

Os bastidores às vezes podem ser tão ou mais interessantes do que a obra em si. E hoje, com a filmagem digital, o número de making ofs aumentou muito, então não é difícil encontrá-los por ai. Se você gostou muito de um filme, tente descobrir tudo sobre ele, partindo pelos detalhes da sua concepção.  Se quiser começar por algum, recomendamos o do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”.

> Busque outras versões dos filmes

Além do making of, temos as versões do diretor, versões sem cortes, versões originais e de outros países, remakes, reboots, entre outros.  Aqui, além de ter mais parâmetros para comparativos, você pode ter gratas surpresas. Um ótimo exemplo é o filme Cruzada, que se transforma completa e positivamente na versão do diretor. Para ajudar, o site Movie-Censorship compila informações de diferentes versões dos filmes e até apresenta as principais diferenças entre elas. Vale a pena conferir.

> Leia!

A influência da literatura no cinema é inegável e a lista de filmes adaptados ou inspirados em livros é infindável, por isso pode valer muito a pena – e consideramos fundamental – procurar se aprofundar mais neste universo. O Senhor dos Anéis, Harry Potter, O Silêncio dos Inocentes, Clube da Luta, a Saga Millennium, entre muitos outros, estão ai para validar este tópico.

Além disso, há ótimos livros que podem ampliar seus horizontes cinematográficos trazendo noções um pouco mais técnicas. Recomendamos “Como Ver Um Filme”, de Ana Maria Bahiana, e “Ismos – Para Entender O Cinema”, de Ronald Bergan.

> Ouça um podcast sobre o assunto

Foi ouvindo o RapaduraCast, lá nos primórdios, que nasceu a vontade de reparar mais nos detalhes que podem culminar em um filmão ou filminho. Não conseguimos mais ficar sem as atualizações semanais do programa e sentimos que seus criadores são, praticamente, nossos amigos (virtuais e imaginários, rs). O interessante neste caso é que você se diverte e aprende enquanto faz outras coisas… O Estrupi adora escutar no caminho ao trabalho e eu enquanto faço algum job muito repetitivo ou organizo a casa. Outro cast que começamos a ouvir recentemente e recomendamos é o #framehate, do pessoal da Hypebox!

> Siga canais especializados

Há uma infinidade de sites especializados em cinema na rede mundial de computadores, por isso, para não ficar louca, eu selecionei os que mais gosto e acompanho as atualizações pelo Feedly, mas se você não usa nenhum leitor RSS, outra dica é curtir as páginas e ver as novidades pelo Facebook. Aqui deixamos uma pequena seleção das que mais gostamos:

 Bônus
> Crie listas dos filmes que quer ver

Para não ficar perdido com tantas informações, talvez o melhor seja montar uma lista que agrupe os filmes que você quer ver. Eu, como pessoa metódica que sou, montei uma no Excel que atualmente acolhe mais de 1700 itens (uns 900 deles ainda não assistidos, #socuerro!). Mas se quiser ser menos louco, pode simplesmente ir registrando em um papel. Há também aplicativos como o Filmow, com uma série de marcações disponíveis. Sem contar as listas prontas, como a do livro “1001 Filmes Para Ver Antes De Morrer”, ou as dos programas do Rapadura, que já fazem esse trabalho para você.

> Faça maratonas

Escolha um tema, gênero ou autor, compre muitas guloseimas e chame a família, os amigos, o cachorro e o periquito para vararem a noite fazendo um corujão!  Afinal, em tempos tão “multifacetados”, atividades que nos permitem fazer várias coisas ao mesmo tempo, são um luxo 😛

E por último, deixamos aqui uma seleção de sites seguros (gratuitos e pagos) para ver filmes via streaming, já que em tempos de crise, comprar ingresso de cinema virou prova de amor <3

Mas Camila, e os seriados? Bom, isso fica para outro post 🙂

E você, tem alguma dica a acrescentar? Conta pra gente aqui nos comentários!


A série “Comofaz?” foi criada para trazer nossas dicas de como se aprofundar em alguns assuntos.

 

Quando a vida vira pendência

Tem banana, quer laranja? - Pendência

Pensou. Retraiu. Mil vezes. Vezes mil. Tudo. Isso. Aquilo. Ser. Surtou. Esmagou. Repetidamente. Duvidou. Ponderou. Voltou. Chorou. Aquilo. Isso. Tudo. Tentou. Sufocou. Guardou. Expandiu. Repensou. Não soube. Dormiu.

Afinal, no viver, o que é pendência e o que não é?

Porque, minha gente, eu não sei vocês, mas para mim está ficando cada vez mais difícil saber separar.

Em meio a tantas coisas que queremos ser, ver e saber eu me perco tentando me encontrar.

Faço listas para não esquecer, e esqueço-me de lembrar que nem tudo é listável.

Não seria nenhuma descoberta surreal da minha parte dizer que o ideal é encontrar o equilíbrio e desencanar de algumas coisas…  Sabemos, na teoria, que diversão ou descanso não são tarefas, mas sendo bem realistas, em um dia com 24 horas, como fazemos caber tudo aquilo que somos e desejamos nos tornar?

E não. Eu não trago a resposta aqui.

Entre o acordar, comer, tomar banho, trabalhar, conversar, namorar e procrastinar, ainda não a encontrei.

Só sei que, enquanto procuro, a única coisa que repito para mim mesma nos dias em que a calma anda inquieta é:

Respira.

Quando bate aquele aperto no peito por ter um zilhão de e-mails para responder, 30 tarefas atrasadas no Todoist, louça para lavar, compras para fazer, 15 episódios de séries atrasados na semana para assistir e amigos para ver depois do último “temos que marcar”, eu sento, respiro fundo e escolho algo para começar.

É que a vida não se detém para que possamos pensar muito, mas às vezes é preciso simplesmente parar.

E você, como faz?


Pensou. Relaxou. Mil vezes. Vezes mil. Tudo. Isso. Aquilo. Ser. Acalmou. Libertou. Repetidamente. Acreditou. Deixou ser. Voltou. Riu. Aquilo. Isso. Tudo. Fez. Respirou. Estampou. Expandiu. Repensou. Soube. Dormiu.

Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício – Delivery

Ah, Sr. Delivery, seu lindo!

Você sempre será um eterno dilema entre nós…

Tem banana, quer laranja? Delivery

“Amor, o que vamos comer? Tava pensando em fazer um ovinho mexido ou algo assim.”

“Ah, não! Por favor, Estrupi, não cozinha nada hoje. Já são quase dez horas. A cozinha vai ficar uma zona.”

“Poxa, eu não vou abater uma galinha, só fazer alguns ovos mexidos com torrada.”

“Como se eu não te conhecesse, né? Vai ficar cheiro de ovo na louça toda e migalhas de pão espalhadas pela pia.”

“Tá, mas, e aí? Vamos comer o quê?”

“Sei lá, podemos pedir comida chinesa ou qualquer outro delivery.”

“Po, Tranqueira, tô sem grana. A gente já abusou esse mês.”

“Você vai bagunçar a cozinha inteira e eu sei que vai sobrar pra mim. Vou ter limpar tudo amanhã de manhã, por que você vai ficar com preguiça de fazer isso hoje.”

“Eu limpo tudo, meu amor. Eu prometo. Só não quero gastar o que não tenho.”

“Estrupício, eu pago! Não se preocupa com isso.”

“Ok, ricaça. Pede aí.”

“Eu peço, pago, mas você vai descer pra buscar. Tá muito frio e já tô quentinha aqui embaixo das cobertas.”

“Tá bom. Abre espaço aí pra eu me aconchegar contigo.”

“Meu amor, você vai sair do frio, entrar no quentinho e depois sair para o frio de novo?”

“Ué, o que é que tem?”

“Sei lá, você pode pegar uma gripe. Não é bom ficar mudando de temperatura assim.”

“Então você sugere que eu fique aqui de pé, ao lado da cama, passando um puta frio e tremendo até a comida chegar?”

“Aham.”


A série “Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício” pretende resgatar e ilustrar aquelas conversas rotineiras, que muitas vezes destinam-se ao esquecimento e passam desapercebidas, mas que no fundo fazem parte fundamental da construção de uma relação. 

 

Meu lar? Manhê! Virei mocinha…

Sexta-feira. Fim de tarde. Meia luz. Lar. Esperando alguém.

Tem banana, quer laranja? Nosso lar - Camila e Gabriel

De repente me dou conta de que virei mocinha. Não bela, recatada e do lar.

Apenas com seu lar.

Nosso lar.

E aí, lembrei-me de você, mãe, e de você, pai. Meu maior e mais amado clichê do que pode significar um lar. E olha que juntos já remontamos tantos…

Desde criança, folheando as revistas de decoração que vinham no seu jornal de domingo, pai, sempre me imaginei montando a minha casa. Recordo-me como me divertia muito mais aconchegando a casa das bonecas do que brincando com elas de fato! Naquela época eu encarava ir morar sozinha e ter a minha casa como algo que envolvia apenas isso: decorar.

O tempo passou, a vida aconteceu e os planos de dar esse passo foram adiados por tantas eventualidades que às vezes chego a acreditar que não existem mesmo as coincidências.

Esses percalços, assim como outros planos e decisões bem sucedidas, de certa maneira foram me moldando – e até hoje continuam – para que me tornasse a pessoa que encontrou esse alguém.

Lembro-me bem, em uma despretensiosa manhã de sábado – daquelas que a gente sai de casa sem dar importância e não guarda a data na memoria, mas sim a cor do céu, do cabelo e do olhar – como um fio que puxa outro, o momento em que nos conhecemos.

E durante muito tempo fomos apenas eu (ponto) e esse alguém (ponto), caminhando na mesma calçada, mas não de mãos dadas. Apenas tentando entender o que significávamos um para o outro.

Agora, passados alguns anos, mesmo morando em uma kitnet na rua da loucura, entendo aquilo que sempre esteve estampado na minha cara e que aprendi com vocês, Rosana e Francisco, mãe e pai: lar é onde o coração da gente mora! E eu sou infinitamente grata por ter muito amor, aprendizados, sorrisos, lágrimas e mais um zilhão de sentimentos e acontecimentos no meu.

É que mãe, agora eu virei mocinha. Passei a entender que nem só de decoração se preenche um ambiente, mas de trabalho, rotina, organização, planejamento, empatia, acolhimento e acima de tudo, muito, mas muito amor. Sim amor, não aquele de revista, mas desse que te faz ter paciência, entender e até chegar a gostar dos (de)feitos do outro, esse que te aconchega e te preenche, e te faz perceber que estar feliz é isso, sentir que estamos exatamente onde deveríamos estar.

Apenas com seu lar.

Nosso lar.