Meu lar? Manhê! Virei mocinha…

Sexta-feira. Fim de tarde. Meia luz. Lar. Esperando alguém.

Tem banana, quer laranja? Nosso lar - Camila e Gabriel

De repente me dou conta de que virei mocinha. Não bela, recatada e do lar.

Apenas com seu lar.

Nosso lar.

E aí, lembrei-me de você, mãe, e de você, pai. Meu maior e mais amado clichê do que pode significar um lar. E olha que juntos já remontamos tantos…

Desde criança, folheando as revistas de decoração que vinham no seu jornal de domingo, pai, sempre me imaginei montando a minha casa. Recordo-me como me divertia muito mais aconchegando a casa das bonecas do que brincando com elas de fato! Naquela época eu encarava ir morar sozinha e ter a minha casa como algo que envolvia apenas isso: decorar.

O tempo passou, a vida aconteceu e os planos de dar esse passo foram adiados por tantas eventualidades que às vezes chego a acreditar que não existem mesmo as coincidências.

Esses percalços, assim como outros planos e decisões bem sucedidas, de certa maneira foram me moldando – e até hoje continuam – para que me tornasse a pessoa que encontrou esse alguém.

Lembro-me bem, em uma despretensiosa manhã de sábado – daquelas que a gente sai de casa sem dar importância e não guarda a data na memoria, mas sim a cor do céu, do cabelo e do olhar – como um fio que puxa outro, o momento em que nos conhecemos.

E durante muito tempo fomos apenas eu (ponto) e esse alguém (ponto), caminhando na mesma calçada, mas não de mãos dadas. Apenas tentando entender o que significávamos um para o outro.

Agora, passados alguns anos, mesmo morando em uma kitnet na rua da loucura, entendo aquilo que sempre esteve estampado na minha cara e que aprendi com vocês, Rosana e Francisco, mãe e pai: lar é onde o coração da gente mora! E eu sou infinitamente grata por ter muito amor, aprendizados, sorrisos, lágrimas e mais um zilhão de sentimentos e acontecimentos no meu.

É que mãe, agora eu virei mocinha. Passei a entender que nem só de decoração se preenche um ambiente, mas de trabalho, rotina, organização, planejamento, empatia, acolhimento e acima de tudo, muito, mas muito amor. Sim amor, não aquele de revista, mas desse que te faz ter paciência, entender e até chegar a gostar dos (de)feitos do outro, esse que te aconchega e te preenche, e te faz perceber que estar feliz é isso, sentir que estamos exatamente onde deveríamos estar.

Apenas com seu lar.

Nosso lar.

Camila Ochoa
Sou fruto de uma mistura latina Brasil-Chile embalada ao som de Rita Lee. Trágica desde os primórdios, coleciono 27 amarelados outonos. Formada em Turismo, freelancer e curiosa nata por outras orbes, virei tarada por home office, organização, decoração, pechincha, empirismo, livros, comilança, viagens, fotografia, filmes e séries de TV. Quanto ao resto, geralmente não passo de um conjunto de várias coisas clichês, mas de vez em quando consigo ser original.
  • Francisco Ochoa

    Querida hijita ud me sorprende cada vez mas, siempre consecuente con lo que piensa y anhela, sea siempre esa ”mocinha”, nunca deje de acreditar y soñar con una vida feliz. Como dice tu papa si no lo soñamos nunca lo conseguiremos.

    • Camila Ochoa

      Gracias, papi! Você e minha mãe que me ajudaram a ser assim 🙂