Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício – Delivery

Ah, Sr. Delivery, seu lindo!

Você sempre será um eterno dilema entre nós…

Tem banana, quer laranja? Delivery

“Amor, o que vamos comer? Tava pensando em fazer um ovinho mexido ou algo assim.”

“Ah, não! Por favor, Estrupi, não cozinha nada hoje. Já são quase dez horas. A cozinha vai ficar uma zona.”

“Poxa, eu não vou abater uma galinha, só fazer alguns ovos mexidos com torrada.”

“Como se eu não te conhecesse, né? Vai ficar cheiro de ovo na louça toda e migalhas de pão espalhadas pela pia.”

“Tá, mas, e aí? Vamos comer o quê?”

“Sei lá, podemos pedir comida chinesa ou qualquer outro delivery.”

“Po, Tranqueira, tô sem grana. A gente já abusou esse mês.”

“Você vai bagunçar a cozinha inteira e eu sei que vai sobrar pra mim. Vou ter limpar tudo amanhã de manhã, por que você vai ficar com preguiça de fazer isso hoje.”

“Eu limpo tudo, meu amor. Eu prometo. Só não quero gastar o que não tenho.”

“Estrupício, eu pago! Não se preocupa com isso.”

“Ok, ricaça. Pede aí.”

“Eu peço, pago, mas você vai descer pra buscar. Tá muito frio e já tô quentinha aqui embaixo das cobertas.”

“Tá bom. Abre espaço aí pra eu me aconchegar contigo.”

“Meu amor, você vai sair do frio, entrar no quentinho e depois sair para o frio de novo?”

“Ué, o que é que tem?”

“Sei lá, você pode pegar uma gripe. Não é bom ficar mudando de temperatura assim.”

“Então você sugere que eu fique aqui de pé, ao lado da cama, passando um puta frio e tremendo até a comida chegar?”

“Aham.”


A série “Pequenos e intrépidos diálogos cotidianos de Tranqueira e Estrupício” pretende resgatar e ilustrar aquelas conversas rotineiras, que muitas vezes destinam-se ao esquecimento e passam desapercebidas, mas que no fundo fazem parte fundamental da construção de uma relação. 

 

Gabriel Souza

Ser adorável, de poucas palavras e muitas frases de efeito, este jovem taubateano de nascença e cigano por opção, tornou-se Geógrafo por (des)acaso e mercador nas horas vagas. Dono de uma capacidade sem igual para reter bobagens na memória e um deleite peculiar por piadas sem graça, adora as vídeo cassetadas do Faustão, se perder nos mundos paralelos da literatura e nunca recusa uma boa partida de Magic.