Decoração funcional

Decoração funcional? Mas o que raios é isso?

Tem banana, quer laranja? Lar, doce lar

Dia desses estava em uma loja e vi um objeto lindo, mas que não tinha nenhuma funcionalidade no fim das contas. A primeira vontade foi comprá-lo, mas bastou um respiro mais profundo para surgir o pensamento: Camila, para que você usaria isso, além de enfeite?

Acabei não adquirindo o dito cujo e levando para casa um sentimento de paz.

Algum tempo depois uma situação parecida aconteceu e o mesmo pensamento e sentimento surgiram.

A verdade é que sempre fui muito organizada (de tempos em tempos, faço maratonas de descarte por aqui), mas também sou um pouco impulsiva e consumista.

Novos objetos sempre acabavam ocupando o lugar daquilo que tinha sido doado ou jogado fora, dando a sensação de que precisávamos constantemente de mais e novos espaços para armazenar tudo.

Por outro lado, o Estrupício é a pessoa mais prática e simples que existe quanto a isso, então é muito raro vê-lo trazendo algo novo para casa, além de livros…

Creio que foi essa mistura que me fez ter um olhar mais atento, provocando uma grande mudança de pensamento.

Tem banana, quer laranja? Decoração funcional

Decoração = “De+coração”:

No livro “A Mágica da Arrumação”, a autora Marie Kondo defende, entre muitas outras coisas, que tudo o que temos precisa nos trazer felicidade. Também acredito nisso e vou além: Nossos pertences, além de trazerem alegria, precisam ter alguma utilidade.

Será que vale a pena ter um enfeite lindo na prateleira só para que fique acumulando pó? E se esse enfeite tivesse uma função adicional, servindo como apoio de papel, por exemplo? Quiçá daríamos muito mais valor.

Em casa, há tempos paramos de comprar coisas só porque são bonitas.  Um exemplo disso são os bonecos de vinil colecionáveis que nos faziam lamentar a falta de saldo na conta bancária.

Fissurados que somos em cultura pop, teríamos todos os funkos possíveis se pudéssemos. Só que paramos e pensamos que, além de dinheiro, precisaríamos de um lugar e tempo para cuidar deles, então, optamos por não tê-los.

Seguindo essa mesma linha de raciocínio, muitas coisas se transformaram por aqui: Embalagens de vidro de produtos que compramos no mercado foram higienizadas e suas tampas pintadas – substituindo assim potes que compraríamos para armazenar diversos alimentos.

Uma frigideira velha que ia para o lixo virou um quadro que nos faz sorrir quando olhamos e até o renegado pote de sorvete acabou levemente customizado para se transformar na nossa caixa de remédios.

Tem banana, quer laranja? Decoração funcional

Não estou dizendo que precisamos parar de comprar coisas, ou jogar fora recordações por não serem funcionais à primeira vista.

Apenas acho que vale muito a pena fazer alguns questionamentos antes de comprar ou manter algo:

  • Posso pagar?
  • Como vou ou posso usar?
  • Tenho espaço para armazenar?
  • Conversa com meu estilo de vida e decoração?
  • Já tenho algo parecido ou que possa transformar, dando a mesma utilidade?

Quem sabe cartas ou cartões postais antigos não sirvam para forrar uma caixa de sapatos que iria para o lixo e que agora pode servir para guardar material de escritório, por exemplo?

Fazendo isso você deixa a vista e torna útil algo que fica sempre guardado, reutiliza o que seria descartado, organiza suas coisas e de quebra poupa o dinheiro que gastaria comprando algo para armazenar tudo isso.

Tenho certeza que, se você for picado por esse bichinho mais minimalista e questionador, aquela vontade louca de comprar coisas novas pode se aquietar, dando oportunidade para que muitos objetos guardados ganhem vida nova…

Dê um respiro para sua consciência, seu bolso e sua casa, além uma oportunidade para sua imaginação!

Camila Ochoa
Sou fruto de uma mistura latina Brasil-Chile embalada ao som de Rita Lee. Trágica desde os primórdios, coleciono 28 amarelados outonos. Formada em Turismo, freelancer e curiosa nata por outras orbes, virei tarada por home office, organização, decoração, pechincha, empirismo, livros, comilança, viagens, fotografia, filmes e séries de TV. Quanto ao resto, geralmente não passo de um conjunto de várias coisas clichês, mas de vez em quando consigo ser original.